"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens".
(Fernando Pessoa, em "O Eu Profundo")
Eu amo tudo o que foi, Tudo o que já não é, A dor que já me não dói, A antiga e errônea fé, O ontem que dor deixou, O que deixou alegria Só porque foi, e voou E hoje é já outro dia. (Fernando Pessoa)
Eu te saúdo Irmão Maior pelo que tens sido e serás dentro do tempo espaço afora e além da vida: luminar homem simples da terra aprisionado no íntimo para libertador de pássaros e agenciador de símbolos. Pela pedra no caminho que foi ato de bravura e foi cabo de tormentas. Pelo brejo das almas em verde com margaridas. Pelo sentimento do mundo com que orvalhas o linho da comunhão geral. Pelas fazendas do ar em que brindas cultivos de transcedentes dimensões. Pelos claros enigmas que decifras e que armas em desdobrados ciclos. Pela vida passada a limpo em lâminas de cristal. Pela rosa do povo com que humanizas o asfalto. Pela lição de coisas que nos ensinas a aprender. Pelo boitempo este sabor de renascimento da infância. Em nome de Mário de Andrade — até as amendoeiras falam — em nome de Manuel Bandeira em nome de Emílio Moura presentes embora silentes no alto da Casa em outros mais cômodos aposentos de onde nos contemplam líricos a nós abaixo no vestíbulo. Saúdo-te mineiro Carlos de olhos azuis como os da criança guardada sempre mais a fundo em candidez e malícia ao largo de lavouras híspidas ao longo de setenta outubros vincados de diamante e ferro sem nostalgia de crepúsculo. Saúdo-te com sete rosas em botão as mais puras colhidas de madrugada antes do sol em suas pétalas por teu sétimo aniversário outrora de menino poeta.
domingo, 5 de maio de 2013
"(...) Voa, coração Que ele não deve demorar E tanta coisa a mais quero lhe oferecer O brilho da paixão, pede a uma estrela pra emprestar E traga junto a fé num novo amanhecer Convida as luas cheia, minguante e crescente E de onde se planta a paz, Da paz quero a raiz E uma casinha lá onde mora o sol poente Pra finalmente a gente simplesmente ser feliz" (Ao que vai chegar - Toquinho)