quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Encontro

Ela se trocou, tirou o pó do coração, abriu a alma.
Passou maquiagem com as mãos leves, tocou o cabelo, sorriu.
Tirou os pés do chão. Saiu.
Esperou.
Contou os carros.
Esperou.
Cumprimentou um desconhecido.
O garçom perguntou:
- Posso pegar esta cadeira?
Fez que sim.
Mas aguardou.
"Só mais 5 minutos".
A lua ficou triste, as estrelas se esconderam. O vinho perdeu a graça.
Levantou.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Apenas um trecho

"And you're so damn difficult
You'd lose a heart in your hand
And I can't believe
You'd make me work for it
Now I understand
Why I run as fast as I can..."

(Run - Christina Perri)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Café preto

Ela era bipolar.
Só cabiam certezas nela quando era hora de tomar café preto.
Ela buscava tomar seu café da forma como levava a vida. Com pressa. Sem jeito.
Não sabia se a cor das coisas eram roxas ou azuis. E também não sabia se estava feliz.
Seus episódios de felicidade eram entrecortados.
Muitas vezes, ela chorava sem motivo. E com motivo também.
A gente sempre chora quando tem incertezas.
A única coisa certa era o café preto.
Amargo não. Doce. Como ela.
Um dia ela se fechou no quarto e achou que tudo virou tempestade.
Mas a chuva sempre passa.
E ela continua a tomar o café preto. Esperando a certeza da felicidade.